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Esse espaço é destinado à discussão sobre Filosofia e História da Ciência e estarão à frente os professores Amadeu Albino, Mestre em Física pela UFRN, e Marco Aurélio de Medeiros Jordão, Mestre em Filosofia pela UFRN. Além de textos, também serão abordados jogos de Lógica e sugestões de Leitura. |
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A Lógica da Ciência e a Ciência da Lógica Marco Aurélio de Medeiros Jordão
O propósito desse breve artigo é apresentar algo que já está presente em nossas vidas, mas que não conseguimos enxergar, pelo menos não da forma como será apresentado aqui. No entanto, em vez de apresentar o tema de maneira direta, iremos propor, inicialmente, uma reflexão, qual seja: como é que o conhecimento – científico ou filosófico – se fundamenta e em seguida “evolui”? Como dizemos que uma teoria tem sentido ou ela simplesmente não diz respeito em nada ao mundo em que vivemos? Ou até mesmo esse artigo, como os leitores irão analisá-lo e dizer se concordam com o que esta sendo escrito aqui? Bem, acredito que já tenham algumas possíveis respostas e todas elas convergem para um ponto em comum, a saber, para que todas essas perguntas possam ser respondidas é preciso que, as teorias, o artigo e até a formação do conhecimento tenhas estruturas lógicas. Então, a questão central desse artigo é responder o que é a lógica e qual sua importância para o pensamento científico. Esse questionamento será respondido seguindo essa estrutura: em um primeiro momento analisaremos o conceito de lógica; logo em seguida faremos um breve histórico do conceito destacando o uso da lógica para o desenvolvimento da ciência e por fim, mostraremos alguns usos da lógica. Quando questionamos o que é lógica a primeira coisa que podemos responder é que essa não é uma pergunta fácil de ser respondida, pois como qualquer conceito, ele é passível de discussão e debate e, portanto, problematizável. Todavia, podemos esquecer um pouco esses problemas de filosofia e utilizar de um conceito trabalhado por um lógico: LÓGICA é a ciência que estuda princípios e métodos de inferência, tendo como objetivo principal de determinar em que condições certas coisas se seguem (são conseqüência), ou não, de outras.
Nesse conceito há uma palavra chave, qual seja: “inferência”. Podemos dizer que inferência, ou raciocínio, é quando partimos de um determinado ponto x, seja ele factual (como em algumas ciências humanas, o direito positivo, por exemplo) ou hipotético (como na matemática), e temos como conseqüência y. Sendo assim, a lógica não procura dizer como as pessoas pensam, ou se tais informações iniciais, as premissas, são corretas ou não, ela deixa isso para as ciências especializadas no assunto. Mas, a lógica investiga, através dos argumentos, se a partir das premissas apresentadas chega-se, necessariamente, a determinada conclusão. Ou nas palavras de Mortari “se a conclusão está adequadamente justificada em vista da informação disponível, se a afirmação pode ser afirmada a partir da informação que se tem”. Evidente que esse conceito não satisfaz aqueles que querem se aprofundar no estudo dessa ciência, mas ele nos dá algumas pistas iniciais sobre como a lógica é utilizada tanto pela filosofia como pelas ciências. O surgimento da lógica se confunde com o nascimento da filosofia. Filósofos como Parmênides, Protágoras e Platão, já se preocupavam em estabelecer argumentos com estruturas lógicas. Todavia, eles não se preocuparam em investigar de forma sistemática sobre o assunto. Somente Aristóteles, no século IV a. C., que teve essa preocupação. Para ele a lógica seria um instrumento que serviria de base para a construção do conhecimento racional e com isso evitaria que essas bases caíssem no erro das falácias e dos sofismas, gerando, assim, a relativização das opiniões. A teoria de Aristóteles ficou praticamente intocada até o século XIX, ou seja, ela serviu de base para a construção de toda filosofia e toda ciência até esse século, passando por todo período Helenístico, toda Idade Média e parte da Idade Moderna. Sua teoria foi tão importante que um grande filósofo Alemão, Immanuel Kant (1724-1804), afirmou na sua obra “Crítica da Razão Pura” que toda lógica tinha sido inventada pronta por Aristóteles e que nada se podia fazer. Foi então, que em 1879, um filósofo e matemático chamado de Gottlob Frege, escreveu uma tese chamada conceitografia que tinha como preocupação básica “encontrar uma caracterização precisa do que é uma demonstração matemática”. Essa tese é o que chamamos de quebra de paradigmas: ao utilizar linguagens artificiais, à matemática, a lógica não só se desgarrou da teoria aristotélica, muito importante, mas que tinha uma utilização limitada; como também se desenvolveu de tal forma que ela mesma, a lógica, é uma ciência independente, como a física ou a matemática. Assim, a lógica hoje em dia serve para inúmeras atividades práticas. Dentre elas podemos destacar o seu uso nas ciências que lidam com Inteligência Artificial, através da representação do conhecimento e demonstrações automáticas e a utilização na linguagem de programação (PROLOG). Podemos dizer que a lógica tem para a Inteligência Artificial, o mesmo grau de importância que a matemática tem para a física. Enfim, a lógica atua nas mais diversas áreas como o direito, a lingüística e a filosofia, além de ser cobrada nos mais diversos concursos pelo Brasil.
1.Professor de Filosofia e Sociologia. Mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará.
2. Cf. MORTARI, Cezar A. Introdução à Lógica. São Paulo: Editora UNESP, 2001, p. 1.
3. Op.Cit. p. 06.
4. Op. Cit. p.29.
5. Cf. DUTRA, Luiz Henrique de Araújo. Introdução à Teoria Científica. Florianópolis: Editora da UFSC, 1998.
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Marco Aurélio
Possui mestrado em Filosofia Contemporânea com ênfase em filosofia política, pela Universidade Federal do Ceará. É especialista em ética pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e possui graduação em Filosofia (aluno laureado) por essa mesma universidade. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ética e política atuando principalmente no ensino superior no curso de direito e no ensino médio como professor de filosofia geral. |







