Em Busca do Elo Perdido: a Aventura de Interagir Fora da Sala de Aula
Era uma vez um mago. Certo dia, ele resolveu inventar uma porção mágica cheia de ingredientes novos e com poderes sobrenaturais ainda desconhecidos. Colocou uma dose de Orkut, um pouco do twitter, uma pitada de facebook, uma pincelada do flickr, uma xícara de picasa, uma concha de youtube e vários quilos de interatividade e imaginação. Depois disso, ele mexeu toda a mistura e repartiu entre os vários aprendizes de feiticeiros.
E como num passe de mágica, o sonho de tornar a física conhecida e fazê-la sair do estranho mundo da dificuldade tornou-se realidade. Um exemplo de que as mídias sociais são excelentes ferramentas para a aprendizagem e aumento da interatividade na relação professor-aluno. “Basicamente eu senti a necessidade de trabalhar física fora de sala de aula em 2007. Então, como os alunos usam muito a internet, e eu queria uma maneira de interagir com eles, eu criei um perfil no orkut e uma comunidade chamado Mago da Física. Era a maneira que eu tinha para interagir mais com eles, para me enturmar mesmo, porque percebi que o tempo que eles passavam era mais longo na internet do que em qualquer outro lugar”, contou o mago da física, o professor do IFRN, Amadeu Albino.
Do orkut para as outras mídias foi um clique e o que começou como uma brincadeira virtual foi se tornando cada vez mais real e se transformando em um relevante instrumento pedagógico. “Depois passei a usar todas as outras redes sociais, inclusive o youtube também. Percebo que os alunos participam mais lá do que em sala de aula, tiram mais dúvidas, postam mais comentários, interagem muito nesse mundo. Eles se sentem mais à vontade para interagir, muito mais do que no espaço físico, mesmo sua dúvida ou postagem sendo divulgada para um público bem maior”, disse o professor.
E o público bem maior cresceu cada vez mais. Vieram mais aprendizes de feiticeiros: os amigos dos alunos, os amigos dos amigos, outros professores, estranhos e conhecidos de lugares perto ou distante foram se tornando mais próximos. Unidos pelo fio da aprendizagem virtual com um nó bem atado no mundo real. “O youtube se tornou o carro chefe dessa interação. Passei a postar vídeos com experimentos de física, tem vídeo com 100 mil exposições em apenas um dia. É um verdadeiro escambo científico com os alunos e também com outros professores, até mesmo com aqueles que nem são da área de educação. É porque a física está no dia a dia das pessoas, faz parte do cotidiano, está em tudo”, afirmou Amadeu.
Papel, brinquedos, bolhas de sabão, bexiga, garrafa pet, cadarço de tênis, garfos, palitos. Objetos do cotidiano que se transformam em rico material para lúdicos experimentos. “Adoro andar no Alecrim e utilizo coisas do dia a dia para fazer meus experimentos de física. Meus vídeos não são editados, são feitos de maneira amadora, em casa mesmo e filmados pelos meus filhos. E eles são utilizados em universidades e em colégios para ensino“, relatou o entusiasta das redes sociais como ferramentas de educação.
E é assim que o professor Amadeu transforma a física em um show à parte, confirmando que a educação deve caminhar junta à interatividade na descoberta do conhecimento. A busca pela aprendizagem através das mídias sociais está atraindo um número crescente de pessoas que diariamente passam a usar a internet para interagir, estudar e compartilhar o saber. “Toda essa quebra de paradigma depende muito do professor e da motivação dele. Penso que o uso das mídias sociais na relação professor-aluno é sim uma tendência. Um mecanismo de ensino com interação sem precedentes. Olha, vou mais além até. Quantas pessoas já viram a minha dissertação de mestrado? Para você ter uma ideia do alcance, no caso das redes sociais, o Mago da Física já está teve 2 milhões e 700 mil exibições. Um verdadeiro escambo científico com dimensões absurdas. É uma forma realmente rica de compartilhar, interagir e valorizar o que se produz, além de trocar”, enfatiza o professor Amadeu Albino.
E essa troca saiu do mundo virtual para ser compartilhada também na vida real. O Mago da Física tornou-se um case de sucesso pedagógico até mesmo fora do Brasil. “Em janeiro agora, fui à Cuba representando o IFRN no Congresso Internacional de Pedagogia e apresentei o trabalho que venho fazendo no Mago da Física. Fico muito feliz pelo reconhecimento, mas especialmente por ver que através dessa experiência com as redes sociais estou conseguindo motivar até mesmo aquele aluno que não costuma conseguir notas boas em física. Mesmo ele não perde mais a motivação e seu interesse tem se tornado cada vez maior. Ele passou a gostar, apesar de ter mais facilidade em alguma outra matéria. Esse aluno passou a ver a física com outros olhos, de uma maneira mais lúdica. Isso sim é maravilhoso”.
E foi assim, no conto da vida real, que o mago da física começou a enfeitiçar alunos de todas as partes, jovens do IFRN ou não, em algum lugar da imensa teia que une as redes sociais ao elo da aprendizagem.
Por Romana Alves
Jornal do IFRN Ano IV - Número IV
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